No ano de 2001, no bairro Butantã, em São Paulo, alguns artesãos começam uma conversa sobre o que fazer para melhorar suas vendas. Mostravam-se desanimados pela dificuldade de comercializar seus produtos nas feiras de artesanato, como a que ocorria no bairro. Foi então que uma das participantes da roda lembrou do que havia dito, em 1986, o sociólogo Hebert de Souza (Betinho): “em pouco tempo as relações de trabalho vão mudar; o cooperativismo vai brotar também nos centros urbanos como uma maneira mais justa e solidária de trabalho”. Essas palavras fizeram germinar a semente do cooperativismo na veia de 20 daqueles artesãos.
Três anos depois, receberam a proposta de lojistas para confeccionar 600 bolsas de jornal, que seriam oferecidas como brindes. Foi a primeira prova de fogo do grupo. Em 23 dias produziram e entregaram a encomenda. Desafio vencido. Era o sinal que faltava para sacramentar a cooperativa. Sair da informalidade, vender seus produtos e viver do artesanato era tudo que sonhavam.
No dia 16 de agosto de 2004 nasceu a Cooperart Butantan, orgulho para cada sócio fundador ver concretizado o sonho de três anos. Mas o próprio mercado tornou-se um grande obstáculo. Era preciso estar conectado às tendências e ter identidade própria. Mas, ao contrário disso, cada artesão utilizava uma técnica particular e desenvolvia dezenas de produtos. Ficava inviável comercializar tanta variedade.
Após um curso rápido no Sebrae, os cooperados perceberam que era necessário mudar a rota. O artesanato tinha que contar uma história, apresentar um diferencial, agregar valor. Resolveram, ali, buscar inspiração na própria cidade de São Paulo, mergulhando em seu passado. Foram ao encontro de construções antigas, quando descobriram que grande parte delas estava permeada de mandalas e rosáceas. Esses símbolos foram encontrados em portas, estruturas metálicas e postes, por exemplo. O “Lampião São Paulo”, inspirado no pátio do colégio onde nasceu a cidade, foi o primeiro produto da nova linha.
Em 2008, a partir de um curso promovido pelas unidades paulistas do Sescoop e do Sebrae, os associados decidiram ampliar e diversificar a produção de itens que retratavam a trajetória paulistana. A Estação da Luz, por sua importância para o desenvolvimento econômico da cidade e do estado, foi o local eleito. O resultado foram peças estampadas com detalhes do beiral do telhado e dos arcos das janelas e portas do ponto turístico.
Divulgar São Paulo por meio de imagens ou da iconografia atraiu novos clientes e agregou valor aos produtos, abrindo novos horizontes para a cooperativa. E isso rendeu várias conquistas à cooperativa, ao longo dos seus sete anos de atuação. O quadro social ganhou mais 26 cooperados, totalizando 46 artistas. As vendas tiveram um salto de 750% desde o primeiro ano de funcionamento, mais de 95 mil peças foram produzidas e a clientela cresceu 27%.
A Cooperart Butantan marcou presença também em espaços concorridos, como as exposições da Art Mundi, Suesp, Mostra Paulista de Decoração, Oi Fashion Frequence e até na ICA Expo, feira internacional das cooperativas realizada em Portugal no ano de 2008. Atualmente, por meio do programa Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil, seus produtos também podem ser encontrados no e-commerce dos sites Compra Fácil e Satelital Brasil.
A reforma da sede localizada no Butantã, bairro de origem, foi uma das últimas conquistas. Com isso, os associados passaram a contar com um local mais adequado para o desenvolvimento do processo artístico, abrindo oportunidades de venda também no varejo. “Essas vitórias refletem o esforço de todos os cooperados. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há muito a fazer, muitos obstáculos a transpor. Mas, com união e determinação, temos convicção de que o amanhã será de novas conquistas”, ressalta a presidente Marina Prudente de Toledo.
Fundação: 16 de agosto de 2004
Cooperados: 46
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